quarta-feira, 6 de julho de 2011

QUEM DIRIA.

O texto abaixo é da revista Isto É.

Os vampiros de Curitiba


Governo, no Paraná, virou empresa familiar. E ainda falam mal do Maranhão


Terra de gente culta, letrada e muito bem educada, o

 Paraná merecia sorte melhor na política. 

Tome-se o exemplo do Palácio do Iguaçu. 

O governador Beto Richa tem uma carinha boa, jeitão de 

tucano moderno, mas comporta-se como um autêntico 

senhor feudal. Qualificar como nepotismo o que ele tem 

feito na Terra das Araucárias é até pouco. Na prática, Beto 

está entregando 80% das verbas do Estado ao irmão, José 

Richa Filho, conhecido como Pepe, e à esposa, Fernanda.


Dias atrás, ele criou duas ­supersecretarias: a de 

Infraestrutura Logística, que funde a de Obras Públicas com 

a de Transporte, e a da Família e do Desenvolvimento 

Social. A primeira, que ­administra todas as obras do PAC no 

Estado e cuida também do porto de ­Paranaguá, foi 

entregue ao irmão. A ­segunda, que terá verbas do Bolsa 

Família e do Brasil Sem ­Miséria, caiu na mão da esposa. 

Será que não existem quadros ­qualificados no Paraná fora 

da família Richa? Nenhum engenheiro? Nenhuma assistente 

social? Nenhum administrador?


E o pior é que a prática feudal não foi inventada por ele. O 


antecessor no cargo, Roberto Requião, também havia 


nomeado o irmão, Eduardo, para o comando do porto, 


alegando que ninguém, no mundo, entendia tanto do 


assunto como ele. Mas Beto foi eleito para romper 


justamente com o estilo patrimonialista – “o Estado sou 


eu” – de Requião.


E repetiu os mesmos vícios, que, no Sul Maravilha, dizem 

ser do Maranhão, do Piauí...

Os vampiros curitibanos de Dalton Trevisan eram obcecados 

por sexo. Devoravam virgens, velhinhas, freiras, viúvas, 

senhoras respeitáveis da sociedade e prostitutas. Os 

vampiros modernos do Paraná são obcecados por cargos 

públicos. Querem açambarcar tudo: cada centavo, cada 

secretaria, cada túnel, cada ponte.

Nelsinho, personagem do livro de Dalton Trevisan, dizia: 

“Tem piedade, Senhor, são tantas, eu tão sozinho.” O que 

dirão os vampiros do poder paranaense? “Tem piedade, 

Senhor, são tantos cargos, e eu tão pobrezinho”? Pobre 

Paraná.  

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